sábado, 23 de março de 2013





Feche os olhos. Ou melhor, imagine-se fechando os olhos.

Este breve gesto de pálpebras conduz ao universo dos sentidos: o lar do tempo.

Um tempo percebido de forma diferente. O tempo que não é físico, nem infinito, muito menos a óbvia sequência repetitiva de instantes. Trata-se de um tempo misterioso e oculto, o tempo da alma.

Medido pelo rítmo do alvoroço íntimo, é capaz de olhar para trás em direção à lembrança e encontrar a memória, ocasionando a retomada do próprio ser pela imaginação.

Imaginar, imagem solta no ar, à mercê da velocidade do sopro das emoções.

Imaginar permite tanto, que permite tudo.

Permite reter o passado sem limites, sem regras, em um mergulho espiral rumo ao profundo, onde flui a energia criativa da infância.

Imaginar permite intuir o presente cotidiano e até aceitar sua passagem, para que não se torne eternidade.

Permite também explorar o que ainda é sem substância, prevendo a nuance da esperada surpresa do futuro.

Sim, é um lugar complexo toda essa natureza interior!

Mas não menos que o mundo dos olhos abertos, também capaz de possuir tantos, em um só. Além de tantos mundos, são tantos tempos e tantos pontos desses tempos em que podemos escolher estar conectados. Ou desconectados.

Numerosas realidades se alternando em presença e ausência, físico e virtual, consciente e inconsciente, público e privado, visível e invisível, sensível ou estático…

Tantas são as passagens para a pluralidade de dimensões, como para as possibilidades de futuro.

Mas onde fica o que você gostaria de ser, de significar para si, para alguém, em todos ou em momentos específicos?

Para imaginar, olhos fechados.

Para descobrir, olhos abertos.

E os sentimentos? As cartas cantam…

Thanara Schönardie