Feche os olhos. Ou melhor, imagine-se fechando os olhos.
Este breve gesto de pálpebras conduz ao universo dos sentidos: o lar do tempo.
Um tempo percebido de forma diferente. O tempo que não é físico, nem infinito, muito menos a óbvia sequência repetitiva de instantes. Trata-se de um tempo misterioso e oculto, o tempo da alma.
Medido pelo rítmo do alvoroço íntimo, é capaz de olhar para trás em direção à lembrança e encontrar a memória, ocasionando a retomada do próprio ser pela imaginação.
Imaginar, imagem solta no ar, à mercê da velocidade do sopro das emoções.
Imaginar permite tanto, que permite tudo.
Permite reter o passado sem limites, sem regras, em um mergulho espiral rumo ao profundo, onde flui a energia criativa da infância.
Imaginar permite intuir o presente cotidiano e até aceitar sua passagem, para que não se torne eternidade.
Permite também explorar o que ainda é sem substância, prevendo a nuance da esperada surpresa do futuro.
Sim, é um lugar complexo toda essa natureza interior!
Mas não menos que o mundo dos olhos abertos, também capaz de possuir tantos, em um só. Além de tantos mundos, são tantos tempos e tantos pontos desses tempos em que podemos escolher estar conectados. Ou desconectados.
Numerosas realidades se alternando em presença e ausência, físico e virtual, consciente e inconsciente, público e privado, visível e invisível, sensível ou estático…
Tantas são as passagens para a pluralidade de dimensões, como para as possibilidades de futuro.
Mas onde fica o que você gostaria de ser, de significar para si, para alguém, em todos ou em momentos específicos?
Para imaginar, olhos fechados.
Para descobrir, olhos abertos.
E os sentimentos? As cartas cantam…
Thanara Schönardie
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